Quatro frases ditas no Web Summit Rio 2024 que resumem todo o papo sobre Inteligência Artificial

Quatro frases ditas no Web Summit Rio 2024 que resumem todo o papo sobre Inteligência Artificial

Quatro frases ditas no Web Summit Rio 2024 que resumem todo o papo sobre Inteligência Artificial

Filipe Bitencourt, Product Design Lead, marcou presença no Web Summit Rio 2024, e trouxe um resumão dos principais insights sobre Inteligência Artificial. Vem conferir esse conteúdo 👉

O Web Summit Rio 2024 rolou e apenas duas letrinhas são capazes de resumir todo o evento: IA. O congresso tratou de um universo de temas, mas o assunto foi unânime 

O Web Summit Rio 2024 rolou e apenas duas letrinhas são capazes de resumir todo o evento: IA – a famosa Inteligência Artificial. Claro, o congresso tratou de um universo de temas, mas o assunto foi inescapável. De saúde à agricultura, da indústria de pagamentos à de moda, além de todos os CEOs, influenciadores, músicos, políticos e escritores, todo mundo foi questionado sobre como essa tecnologia vai impactar nossos mercados. Até Gilberto Gil, no auge dos seus 81 anos, não fugiu da discussão.

O tema não é novidade. Desde 2022, quando a primeira versão do Chat GPT foi liberada para o público, especulamos como usar a Inteligência Artificial para melhorar nossas vidas e nosso trabalho. Por isso, me dediquei a perseguir o assunto durante os três dias de Web Summit e resumi tudo o que ouvi em quatro frases impactantes:

Frases sobre IA no Web Summit

Explore as possibilidades de uso da Inteligência Artificial

“LLMs e GenAI atuais estão no estágio que a internet estava em 1995. Eles são o Netscape da Inteligência Artificial” – Santiago Fossatti, Partner na Kaszek, no painel The future of AI investing

Para os mais jovens, uma minúscula aula de história. A internet existe desde os anos 1970, quando interligava pesquisas de diversas universidades dos EUA. Nos anos 1990 as primeiras aplicações massificadas dessa tecnologia começaram a impactar os consumidores, uma das primeiras e mais importantes foi o Netscape. Ele foi o navegador de internet que popularizou o acesso de qualquer pessoa a websites usando seus computadores pessoais. E como era a internet na época do Netscape?

microsoft em 1994

Esse era o site da Microsoft em 1995. Parece antiquado, quase uma relíquia do passado. Por mais impressionante que a Inteligência Artificial seja atualmente, a sua capacidade atual é similar à da internet dessa época.

Agora imagine como a internet mudou desde que esse site foi ao ar há 30 anos. Surgiram centenas de formas de conectar-se à web, somos capazes de fazer ligações de áudio e vídeo para qualquer parte do mundo, usamos dinheiro digital, temos amigos digitais, frequentamos espaços digitais…

Os LLMs (Grandes Modelos de Linguagem) e Gen AI (Inteligência Artificial Generativa) são apenas os primeiros usos práticos de IA que conseguimos popularizar. Consumidores comuns conseguiram “tocar” em Inteligência Artificial pela primeira vez através do Chat GPT. Isso abriu caminho para que soluções cada vez mais transformadoras surjam nos próximos anos.

Uma das inovações discutidas no Web Summit Rio foi a AGI (Artificial General Intelligence, ou Inteligência Artificial Geral). Por mais inteligentes que os modelos atuais de IA sejam, eles ainda não conseguem se adaptar a diversos problemas diferentes. Cada modelo é especialista em uma tarefa, mas completamente inapto em todas as outras. Pesquisas estão sendo realizadas nesse momento para fazer com que os algoritmos sejam capazes de treinar a si próprios e aprender da mesma forma que um ser humano comum.

Parece ficção científica, certo? Segundo os especialistas no tema, esse é um futuro provável. Quando isso acontecer e uma máquina for capaz de pensar da mesma forma que uma pessoa, o que inteligência vai significar para nós, seres humanos?

Potencialize sua criatividade

“IA é uma forma de melhorar agressivamente a eficiência das empresas” – Fabio Costa, General Manager na Salesforce Brasil, no painel An executive perspective on GenAI for enterprise

Voltando para o presente, como as empresas estão usando os modelos de Inteligência Artificial hoje? De acordo com diversos palestrantes, o principal uso atual é o aumento de produtividade. Para Mohannad El-Barachi, CEO da plataforma Wrk, o principal KPI da indústria é o Custo Evitado – ou seja, quanto de dinheiro é possível economizar substituindo processos complexos pela automatização por IA?

Um exemplo aqui no Brasil é a Ambev, que vem melhorando a qualidade das suas cervejas usando IA. Analisando todos os dados coletados durante o processo de produção, um modelo de Inteligência Artificial consegue detectar pequenas variações que passavam despercebidas por seus operadores mas impactavam o sabor final das bebidas.

Isso significa que seu emprego está em risco? Que uma Inteligência Artificial será capaz de substituir você? Segundo os painelistas do evento, não. As IAs são capazes de substituir as tarefas muito repetitivas, mas requerem a supervisão e a criatividade humana para gerar valor. Especialmente os empregos que exigem relacionamento com pessoas não poderão ser totalmente substituídos por IAs. A tecnologia ainda está muito distante dessa capacidade.

Em outras palavras, a Inteligência Artificial veio para potencializar a sua criatividade e intuição. Desde que você a use.

Conheça o problema que você precisa solucionar

“Não faça IA porque está na moda e é o assunto mais discutido nesta convenção” – Michael Koch, Co-founder e CEO da HubKonnect, no painel The AI valuation premium

Apesar de todo o hype envolvendo Inteligência Artificial nos últimos anos, é importante lembrar que ela é uma ferramenta que exige conhecimento específico para operar e pode ser melhor ou pior, dependendo do seu problema.

Um exemplo citado no palco do Web Summit Rio foi da tecnologia Just Walk Out, da Amazon. O modelo anunciado pela gigante do e-commerce em 2016 prometia eliminar a necessidade de caixas em supermercados, identificando os produtos e cobrando automaticamente dos clientes quando eles saíssem das lojas, mapeando todo o processo com Inteligência Artificial. Há poucos meses, toda a solução foi descontinuada e descobriu-se que boa parte da operação era feita por operadores que assistiam as imagens das câmeras para realizar as cobranças manualmente. Ou seja, mesmo depois de oito anos de investimentos de uma das maiores empresas do mundo, a IA desenvolvida ainda não era capaz de solucionar o problema proposto.

Mesmo com a crescente facilidade para utilizar modelos de IA, essas ferramentas ainda precisam de um grande volume de dados, recursos técnicos para desenvolver modelos específicos para cada situação e tempo (às vezes muito tempo, como no exemplo da Amazon). Defina claramente o problema que precisa resolver e considere tudo isso antes de pular de cabeça em uma solução de IA.

A ética e a transparência no uso da Inteligência Artificial

“Pessoas comuns precisam ser protegidas. Se elas ficarem desprotegidas serão exploradas” – Carine Gomes Roos, Founder da Newa Consultancy, no painel How geopolitics will shape AI regulation

As aplicações de Inteligência Artificial estão evoluindo rapidamente, e está ficando cada vez mais difícil perceber o que foi produzido por um ser humano ou por um modelo de IA generativa. Isso gera coisas divertidas como o Silvio Santos apresentando o Jornal Nacional, ou o Silvio Santos cantando Bad Romance, da Lady Gaga (a quantidade de deep fakes com o Silvio Santos é estarrecedora). Porém, os deep fakes são usados para fins muito mais nefastos do que colocar nosso velho ícone da TV brasileira em situações peculiares.

O sociólogo Bruno Latour afirmou que estamos entrando em uma era de “blurred reality” (realidade turva) – onde não teremos meios de diferenciar o que é real do que é falso. As ferramentas de IA generativa vem potencializando essa realidade. Com elas, está cada vez mais fácil produzir e compartilhar fake news e desinformação.

Por isso, o Web Summit Rio focou extensivamente na regulamentação de IA. Houveram três painéis sobre o tema e os painelistas foram unânimes: estamos atrasados. Precisamos construir regulamentações sólidas sobre IA para que a tecnologia seja ética e transparente, e para que a sociedade possa confiar no seu uso sem vieses. A União Europeia aprovou recentemente uma série de regulamentações sobre esse mercado e países do mundo todo, inclusive o Brasil, estão caminhando nessa direção.

Contudo, nenhuma lei será capaz de acompanhar a velocidade do desenvolvimento da tecnologia. A regulamentação também deve trazer uma forte cultura de ética e compliance das empresas e da sociedade. Enquanto existir um ecossistema onde as pessoas são capazes de produzir e compartilhar facilmente fake news, e assim o fizerem, qualquer regra imposta será insuficiente.

Concluindo

A IA chegou para roubar nossos empregos? Ou viveremos num mundo com carros voadores, ao melhor estilo Jetsons? Ainda é cedo para dizer, mas o consenso do Web Summit Rio foi de otimismo. A Inteligência Artificial tem o potencial de nos tornar mais produtivos, mais criativos e de resolver problemas que antes pareciam muito complexos.

Ela ainda não é mágica, pode ser difícil de implementar e tem aplicações menores do que os mais empolgados podem sugerir. Mas também não é uma onda passageira. Diferente de outras modas tecnológicas que vêm e vão, a IA já está presente em nossas vidas e só deve crescer.

E para você que chegou até o fim desse texto, uma frase bônus: “2022 foi o ano de lançamento da primeira ferramenta popular de IA. 2023 foi o ano de experimentação e 2024 será o ano de colocar ideias em prática”. Quais ideias você e sua empresa conseguirão colocar em prática com Inteligência Artificial?

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1 comentário »

  1. Cliquei aqui só para ler quais eram as frases, e quando falam que a IA é o Netscape da vida de lá de 1995, a mente nem consegue prever o que está pra vir nesse nível tecnológico.

    Obrigado, Reclame AQUI por partilhar esses 4 insights.

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