O que a sua empresa faz para proteger os dados que coleta do seu público? Pensou? Então, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) entra em vigor em agosto de 2020. Dessa forma, para entender como consumidores e empresas se comportam em relação ao tema, o Reclame AQUI* aplicou uma pesquisa em seu site. O resultado mostra que as empresas ainda precisam buscar muita informação: 41,6% dos empreendedores afirmaram que não sabem o que é LGPD.

Além disso, a pesquisa mostrou que 88,6% dos consumidores estão preocupados com a forma que as empresas usam seus dados. Mas o que tudo isso significa? De antemão, que vai ser preciso mais transparência e cautela na forma que cada companhia vai usar essas informações. Caso contrário, pode acarretar prejuízos na hora de fechar negócios e vender produtos, ou seja, conquistar a confiança do consumidor.

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Não adaptação pode prejudicar relações comerciais

Nesse sentido, o advogado Fernando Bousso, do escritório de advocacia Baptista Luz, considera o fato de 41,6% das empresas não saberem o que é LGPD ser bastante preocupante.

“Se até 16 de agosto de 2020, quando a lei entra em vigor, diversas empresas não tiverem nem iniciado seu processo de adequação à lei, isso que pode gerar um passivo para elas e até a perda de negócios, parceiros e clientes. E isso é considerado bastante relevante. Levando em consideração que quase 90% dos consumidores estão preocupados com a forma que seus dados são tratados, é muito provável que esses consumidores deixem de utilizar os produtos e os serviços dessas empresas que nãos e adequaram à LGPD”, analisa.

Muitas empresas ainda não iniciaram adaptação à LGPD

Do mesmo modo, 26,4% das empresas ainda buscam informações para se adaptar à LGPD e 12,1% esperam “para ver se essa lei vai funcionar”, embora ela tenha sido sancionada e a data definida para ser aplicada.

“Há um alto volume de companhias que, sequer, iniciaram o processo, ainda pesquisam quais são os objetivos da LGPD, o que é a lei ou não acreditam que ela “vá pegar”, é preocupante. Nesse caso, a recomendação é que essas empresas imediatamente busquem parceiros e contratem consultores para executar o projeto”, recomenda Bousso.

Por mais que empenhem, o advogado acredita que é bastante improvável todas as empresas estarem 100% em conformidade no dia em que a lei passar a vigorar. “A LGPD visa que todas as companhias consigam demonstrar que tomaram todas as medidas cabíveis, possíveis e razoáveis para proteger os dados pessoais dos titulares. Mas se ela, sequer, revisitou os fluxos internos de dados, isso será levado em consideração pela autoridade no momento da aplicação se uma sanção, o que pode acarretar problemas”, alerta.

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Como proteger os dados? Eis a questão

Quando questionados sobre a forma que usam as informações, 82,8% afirmaram que apenas sua companhia faz uso dos dados. Já outros 13,5% compartilharam também com empresas parceiras e apenas 3,7% dos empreendedores admitiram que já venderam dados coletados de consumidores, prática que será questionada com a LGPD.

“Toda e qualquer ação com os dados dos consumidores deve ser informada. Igualmente no caso de sites, por exemplo com o uso de cookies, deve ser informado ao consumidor” também, considera Diego Campos, diretor de operações do Reclame AQUI.

LGPD vai favorecer relação de mais respeito ao consumidor

Ainda, Campos acrescenta que o Reclame AQUI também está em processo de adequação à LGPD. No caso do site, no cadastro solicitado são solicitados para fornecer à empresa que vai tratar da reclamação. “Porque é para este fim, para conseguir identificar o consumidor e ele receber um atendimento, mostrar que se trata de um cliente e que no caso pode reclamar”.

Por fim, as companhias precisam entender que fazer o uso adequado das informações dos consumidores garante a privacidade dele, o que é um direito, primordial para uma relação de confiança. Consequentemente, reflete direto na reputação da marca.

* A pesquisa ficou disponível aos usuários do site Reclame AQUI entre os dias 16 e 18 de setembro, e 10.285 pessoas responderam. Houve a possibilidade de participar como consumidor, que foram 93,6%, e como empreendedor, 6,4%, fatia que corresponde a 658 empresas.

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