No início do mês, o Banco Central (BC) atualizou as regras de segurança do PIX para dar mais ferramentas de defesa ao consumidor e tornar a vida dos golpistas muito mais difícil.
Até pouco tempo, em golpes do PIX, o criminoso espalhava o dinheiro por diversas contas laranjas. Ou seja, o banco só conseguia bloquear a primeira conta que recebia o valor. Se o golpista transferisse o dinheiro para uma segunda ou terceira conta, o rastro se perdia e a chance de você ver a cor do seu dinheiro de volta era quase zero.
Com a entrada em vigor do MED 2.0 (Mecanismo Especial de Devolução), o BC atualizou as regras para equilibrar esse jogo. Agora, o foco não é apenas onde o dinheiro chegou primeiro, mas sim todo o caminho que ele percorreu dentro do sistema financeiro.
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O que é o MED 2.0 e o que muda na prática?
O MED 2.0 é a evolução da primeira versão do Mecanismo Especial de Devolução do Banco Central. Se na primeira versão o sistema parava de procurar o dinheiro assim que ele saía da conta de quem recebeu o seu PIX, agora o foco é o rastreio do fluxo financeiro.
Na prática, isso resolve a rapidez com que os criminosos limpavam a conta principal para esconder o dinheiro em outras. Veja como funciona esse rastreamento:
- Rastreamento em múltiplas camadas: o banco rastreia o caminho do dinheiro. Se o valor sair da conta do golpista e for para outras contas intermediárias, o sistema continua seguindo o rastro e pode bloquear essas contas também.
- Bloqueio automático de suspeitos: ao receber uma denúncia fundamentada, o banco pode bloquear a conta suspeita de forma imediata, antes mesmo de terminar a análise. Isso impede que o dinheiro continue circulando enquanto a investigação acontece.
- Contestação direto no App: desde outubro de 2025, as instituições oferecem um botão de contestação direto no aplicativo do Banco.
Vale a leitura: PIX tem novo botão para contestar golpe: veja como funciona e confira as dicas do Reclame AQUI para se proteger
De acordo com o Banco Central, a expectativa é que o valor seja recuperado em aproximadamente 11 dias após a contestação.
Consumidor, atenção:
O MED serve exclusivamente para casos de fraude, golpe ou quando você é coagido a fazer uma transferência. O sistema não aceita contestações por erro do usuário (quando você digita a chave errada ou se engana no valor). Nesse caso, a responsabilidade continua sendo de quem envia.
Transferências feitas por engano não são consideradas crimes ou fraudes. Como não houve um golpe, o Banco Central não permite o bloqueio automático do valor na conta de quem recebeu. Se isso acontecer com você, o caminho é outro:
- Negociação direta: tente entrar em contato com a pessoa que recebeu o valor e peça a devolução (o próprio app do banco costuma ter a função “Devolver PIX” para quem recebeu por engano).
- Canal comum do banco: Você pode registrar o erro no atendimento do seu banco, mas o processo seguirá as regras normais de mediação, sem a agilidade e o rastreio em camadas do MED.
Fui vítima de um golpe: o que fazer agora?
Se você percebeu que caiu em uma cilada, a regra é uma só: não perca tempo. Como o sistema agora consegue seguir o rastro do dinheiro em várias camadas, quanto mais rápido você avisar o banco, maiores são as chances de encontrar o valor ainda parado em alguma conta e realizar o bloqueio. AQUI vai um guia rápido do que fazer: 👉
Use o botão de contestação
- Acesse o extrato do seu banco: vá até a transação do PIX que você deseja contestar.
- Procure o detalhe da transação: geralmente, ao clicar no comprovante ou no histórico daquele envio, haverá um botão ou link escrito “Contestar transação”, “Reportar problema” ou “Mecanismo Especial de Devolução”.
- Relate a fraude: siga as instruções na tela e informe que se trata de um golpe. Pronto! Isso já aciona o sistema MED 2.0 automaticamente em todo o sistema financeiro.
A melhor estratégia ainda é a prevenção
O MED 2.0 chegou para dar mais força ao consumidor e mostrar que o sistema financeiro está aprimorando os mecanismos de controle contra golpes.
Antes de clicar em qualquer botão de confirmação, verifique cuidadosamente os dados de quem recebe o valor.
E lembre-se: se o seu banco não der o suporte adequado ou dificultar o acionamento do MED 2.0, use o Reclame AQUI. Pesquise a reputação da instituição financeira e registre sua reclamação. A sua experiência ajuda a tornar o mercado mais transparente e cobra responsabilidade de quem deve garantir a sua segurança.
Fonte: G1/ CNN/Jornal Nacional e Agência Brasil
