Apesar das dívidas, mais de 90% dos brasileiros têm esperança em melhorar a vida financeira em 2024

Apesar das dívidas, mais de 90% dos brasileiros têm esperança em melhorar a vida financeira em 2024

Em pesquisa realizada pelo Reclame AQUI revela que apenas 26,9% dos consumidores consideram sua vida financeira atual confortável 

Se a gente pudesse, deixaria muitas coisas pra trás com o ano velho, principalmente quando a gente fala de dívidas e pendências financeiras (seria um sonho né?!)

Mas por enquanto, compromissos feitos há meses ou até anos acompanham a nossa vida, e isso nem é algo dito sem comprovação de fatos. Como as dívidas. Foi o que mostrou a pesquisa realizada pelo Reclame AQUI nos dias 8 e 9 de janeiro de 2024 com cerca de 4 mil usuários da plataforma.

Passado o final do ano de 2023 com todos os seus estímulos de consumo, como Black Friday, compras de Natal, viagens de férias, ano novo, o consumidor começa a apresentar um aperto financeiro. A pesquisa com o objetivo de compreender como está a vida financeira, envolvendo endividamento e inadimplência dos consumidores, revela que a situação não está muito favorável para grande parte dos entrevistados. Mas aí mora um detalhe interessante.

Noventa e dois por cento dos consumidores que estão endividados e inadimplentes acham que sua situação financeira vai melhorar nos próximos meses, ao longo do ano. Apesar de 40,6% já estarem com dificuldades de fechar as contas neste início de ano.

O CEO e Cofundador do Reclame AQUI, Edu Neves, analisa que quando se olha para esse perfil de pessoas acumulando dívidas, no geral, vê-se dois aspectos em dois extremos: cerca de 43% têm dívidas em atraso há mais de um ano, mas 26% estão com dívidas acumuladas atrasadas nos últimos 3 meses. Ou seja, o fim do ano gerou boa parte destes endividados.

“O consumidor mostra claramente na pesquisa que falta para ele conhecimento e educação de orçamento para lidar com tudo isso, falta uma faísca de maturidade. Poucos consumidores disseram que “alguém” tem que tirar ele da situação inadimplente; pelo contrário, ele puxa para si essa responsabilidade. O consumidor aprende a cuidar do dinheiro se endividando, prova é que 57,52% apontam que teriam se endividado menos se tivessem mais conhecimento sobre educação financeira. Ou seja, aprendem na dor, pouco se informam. Mostra que no dia-a-dia não há planejamento, e quem faz, tenta gastar dentro das suas despesas, limite mensal, mas não olha para a necessidade de poupar, não consegue fazer reservas de recursos, as emergenciais”, pontua Neves.

Pelo menos 56,3% dos pesquisados afirmam que se encontram em uma situação apertada e difícil, enquanto 16,5% estão em uma situação crítica, onde as contas estão vencendo, se sobressaindo ao dinheiro disponível. Apenas 26,9% dos entrevistados indicaram estar em uma situação confortável.

Situação atual

Em relação aos que possuem uma dívida ou pendência financeira no atual momento, 60% confirmaram estar nessa situação, e entre esses, o cartão de crédito e os empréstimos pessoais figuram as pendências mais mencionadas pelos consumidores, sendo 40,3% e 27,6% respectivamente.

Os financiamentos também foram citados: 9,3% dos entrevistados indicaram possuir financiamento de carro, enquanto o imobiliário alcançou 8,2% das respostas.

E isso mostra que o cartão de crédito é o grande veículo de financiamento das pessoas, elas são dependentes desse mecanismo para parcelar compras, por exemplo, a principal forma de a pessoa conseguir se alavancar. E obviamente onde ela se endivida primeiro; e depois, o empréstimo pessoal, de onde está a fonte de endividamento porque depois do crédito rotativo, quando não consegue pagar o cartão, hoje até muitos bancos e financeiras já oferecem uma forma de parcelamento quando chega a fatura para converter isso em uma dívida mais barata – acaba sendo a segunda forma de empréstimo pessoal”, completa Edu. 

Na pesquisa, quando questionados como pretendem sair da inadimplência, só 25% encontram na negociação de dívidas uma saída; 42% enxergam que cortar alguns gastos desnecessários e encontrar renda extra é o melhor caminho para sair da dívida. Ou seja, entendem que vão sair sozinhas dessa situação sem a ajuda da instituição financeira ou que não vai adiantar procurar, colocando em si mesmo a esperança em sair da situação difícil.

Para Edu, um sinal de alerta em como administrar os ganhos. “Quando questionados de como as instituições financeiras poderiam ajudar na gestão de suas finanças, 48,19% apontam a redução na taxa de juros cobradas. O tema juros, que esteve em discussão no Brasil por muito tempo, começa a ser notado pelo consumidor. Ele estava disposto a pagar o juro que estivesse disponível para ele. Agora, não, entende que é importante pagar menos. E assim ele mostra como é seu método de financiamento: vai para o cartão, do cartão vai para o CDC e do CDC vai para a inadimplência, esse é o caminho do crédito”.

O quadro atual de endividamento e inadimplência dos consumidores diz muito do que foi vivido no ano passado. Neves entende que 2023 foi um ano onde o consumidor se segurou no consumo durante 6 meses, pelo menos, e depois soltou as rédeas, motivado pelo medo da crise segurou o consumidor com receio no primeiro semestre.

“O Reclame AQUI costuma ouvir com frequência os consumidores ativos no site, ou seja, aqueles que estão em pleno consumo, e eles apontaram que no segundo semestre, nas pesquisas pré-Black Friday, por exemplo, que ele já se sentia mais confortável com suas finanças. Foi acelerando sua confiança para o final do ano, em novembro apareceu a coragem de adquirir parcelamentos no cartão de crédito, em detrimento do PIX, e assim passou a comprar mais, culminando janeiro de 2024 amarrado no cartão de crédito”.

Mas a esperança não morre nunca, e 92% acham que as finanças vão melhorar e não existe a sensação de que a economia piore. Conforme a pesquisa, os consumidores entendem que precisam melhorar a renda e administrar melhor seu dinheiro. E a percepção é de que a renda dele melhore também.

“Esse otimismo pode ser um risco para quem está endividado, podendo fazer com que os brasileiros demorem muito para resolver refinanciamentos de dívidas e gerir melhor seu dinheiro”, finaliza Neves.

Leia também: Saiba tudo sobre a limitação de juros do crédito rotativo

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