Ricardo Miragaia, CFO do Reclame AQUI, explica como os juros afetam o orçamento doméstico. Aprenda a lidar com as dívidas e evite armadilhas financeiras 👉
Se ao final do mês está cada vez mais difícil fechar as contas, é sinal de que o endividamento está batendo na porta. Esse já é um cenário bem preocupante, isso porque o acúmulo de dívidas tem se tornando cada vez mais uma realidade para os consumidores brasileiros.
📌Radar do consumo
De acordo com uma pesquisa realizada pelo Reclame AQUI no início de janeiro/2024, 60% dos consumidores têm dívidas ou pendências financeiras. Enquanto isso, 64,93% estão deixando de pagar ou estão em atraso com alguma dívida. Perdeu essa pesquisa e quer ficar por dentro do assunto? Saiba mais sobre esse conteúdo AQUI.
Mas, afinal, o que está por trás dessas dívidas? Uma das principais causas do endividamento é quando um empréstimo ou compra parcelada sai do controle e ganha juros exorbitantes.
Para trazer um panorama completo sobre o assunto, Ricardo Miragaia, CFO do Reclame AQUI, explica como os juros afetam o orçamento doméstico, e dá dicas para lidar com as dívidas e evitar armadilhas financeiras. Acompanhe:
Educação financeira e o consumidor brasileiro: esse match existe?
Quem aqui tem conhecimento sobre todas as taxas de juros embutidas nos pagamentos? A relação dos brasileiros com juros é marcada por muita complexidade, falta de planejamento e pouco conhecimento em educação financeira.
Essa complexidade começa quando, muitas vezes, o parcelamento de uma dívida é visto como um facilitador de pagamentos. No entanto, quando os juros desse parcelamento deixam de ser considerados o consumidor entra em uma grande armadilha.
Dessa forma, Miragaia explica o porquê o consumidor está sempre enrolado com os juros; para ele o foco do pagamento está no valor total da parcela e não no custo total do pagamento:
“O consumidor, em geral, não pensa em juros. Ele pensa no tamanho da parcela em que ele pode pagar. Mas, as parcelas estão sempre embutidos altas taxas de juros. Então, você pega um empréstimo de R$1.000 para pagar em 10 vezes, você ia pagar R$ 100 por mês. Com a nossa taxa de juros abusiva, ele vai pagar R$ 120 de parcela por mês, que no final vai dar muito mais do que ele pagou ou pegou emprestado. Esses juros embutidos não são perceptíveis para o brasileiro e é por isso que ele tá sempre enrolado.”
O que é preciso entender sobre os juros?
Nada melhor do que tomar decisões financeiras de forma mais consciente, justamente para evitar o endividamento. É aí que entra em jogo a importância da educação financeira. Dessa forma, Miragaia apresenta formas de entender como os juros são calculados em um contrato:
“Uma coisa é a taxa nominal de juros que eles dizem que aplicam, e outra coisa é a taxa efetiva, aquela que de fato foi aplicada, são os juros sob juros, são as tarifas, os contratos de aprovação de crédito. Tudo isso acaba aumentando a taxa de juros. […] Por que essa diferença absurda? Porque efetivamente ele pagou outras taxas, dentro dessa taxa de juros. “
A taxa efetiva de juros é aquela que mostra o custo real do empréstimo ou financiamento ao longo do tempo. Então, se liga nessa dica: sempre compare as taxas efetivas em diferentes operações de crédito. Dessa forma, você pode identificar as opções mais vantajosas a médio e longo prazo.
Como os juros impactam no orçamento doméstico?
Os juros estão em todos os lugares e impactam diretamente os preços dos produtos e serviços que consumimos. No final do mês, se a conta não fecha, os juros são os grandes vilões. Entenda o impacto deles, no orçamento doméstico:
‘’Dependendo do comportamento deste consumidor, os juros podem ser o maior vilão e pode estar tirando até 20% do orçamento do consumidor. Depende muito do perfil desse consumidor e como ele se endividou. Se ele está endividado com cartão de crédito e cheque especial, ele está pagando os maiores juros de mercado.[…] As taxas de juros hoje cobradas por esses financiamentos de curto prazo, são de 10% a 11% ao mês, uma diferença brutal”, afirma Ricardo Miragaia.
É possível fugir dos juros? Veja as dicas do especialista!
Ricardo explica que os juros são a “antecipação de sonhos, é o custo do dinheiro do futuro”. Para evitá-los, a melhor saída ainda é o planejamento financeiro para poupar imprevistos. Sendo assim, para fechar esse bate-papo, separamos aprendizados importantes desse bate-papo. Se liga:
Pagamentos à vista
Sempre que possível realize o pagamento à vista para evitar o acúmulo de juros em financiamentos e parcelamentos
Negociação dos juros
Peça descontos para tirar a taxa de juros embutidos dos parcelamentos. Se não houver desconto, e à vista é o mesmo valor, então parcele e pague em dia a fatura, para não cair na taxa de juros do cartão.
Educação financeira existe um caminho certo
Invista 10% do que você ganha na poupança. Com a poupança, você tem uma reserva para resolver os seus problemas e realizar os seus sonhos.
