Celular irregular no Brasil: você tem certeza que seu aparelho é de procedência confiável? Cuidado!

Celular irregular no Brasil: você tem certeza que seu aparelho é de procedência confiável? Cuidado!

De acordo com a Abinee, 1 a cada 4 celulares vendidos no Brasil é irregular. Reclame AQUI aplicou pesquisa para medir o conhecimento do público sobre o assunto. Leia mais

Pois é leitor, o assunto que vamos tratar nesse conteúdo é bem sério e pode pegar MUITA gente de surpresa, afinal, a situação é mais complicada do que se pode imaginar.

Pense e reflita por aí: Onde você comprou o seu celular? Foi em uma loja conhecida e a compra possui nota fiscal? Se foi em um marketplace – mesmo que esse seja de absoluta confiança – será que o revendedor foi transparente em relação à procedência e garantia do aparelho? O produto possui o selo da Anatel? 

Muitas dessas questões parecem irrelevantes à primeira vista, mas podem carregar um problema futuro para você dependendo da resposta. Em levantamento feito pela Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica), cerca de 6,2 milhões de celulares vendidos no país foi feito de forma ilegal em 2023, sendo que 90% do total de smartphones irregulares hoje no Brasil sejam vendidos via marketplaces.

Edu Neves, CEO e Cofundador do Reclame AQUI, enxerga uma questão muito complexa quando falamos de celulares. Para ele, é preocupante pensar que quem compra um produto de origem duvidosa corre o risco de ficar sem garantia, por exemplo. Como saber se o produto é realmente original e se a assistência técnica estará disponível caso surjam problemas? Lembre-se: a Nota Fiscal é fundamental, ela é a prova de compra e garante seus direitos como consumidor!

“As marcas são globais, isso é fato, mas a assistência técnica não acompanha essa globalização; tem um custo, que muitas vezes está embutido no preço final do celular. Produtos que entram no país de forma irregular, como os frutos de descaminho ou importações diretas, podem ser mais baratos justamente porque esse custo da assistência não está incluso. Mas atenção: essa economia pode sair cara no futuro caso o aparelho apresente algum problema”, alerta Neves.

Selo da Anatel é apontado como importante pelos consumidores

O Reclame AQUI foi mais a fundo para medir a percepção do consumidor sobre o assunto. Em pesquisa realizada na plataforma entre os dias 21 e 23 de maio, a maioria dos usuários têm o conhecimento sobre o Selo da Anatel e 76% afirmaram que o consideram importante na compra de um celular, indicando que o selo é capaz de proteger o consumidor de produtos falsificados, proporcionando segurança e qualidade e garantindo assistência e suporte técnico.

“O selo da Anatel surge como uma luz nesse mar de incertezas, garantindo que o aparelho funcione corretamente e esteja dentro das normas brasileiras. Mas será justo que o consumidor tenha que se preocupar com isso? Por que a responsabilidade de garantir a qualidade e a segurança do produto recai sobre o consumidor final?”, questiona Neves.

Apesar de 62% dos respondentes saberem que celulares frutos de descaminho são vendidos no Brasil, 38% dos pesquisados sequer sabiam dessa informação, um índice preocupante que pode facilitar a comercialização desses produtos ilegais por falta de entendimento do tema.

Ainda no levantamento do Reclame AQUI, 74% das pessoas disseram que nunca compraram um produto ilegal, e entre aqueles que indicaram já ter comprado celular que sabia ou desconfiava ser fruto de descaminho, 38% compraram direto com um vendedor, 30% afirmaram ter comprado fora do Brasil e 21% adquiriram pelos marketplaces.

E entre esses, pelo menos 20% tiveram algum problema com o aparelho, como sistema travado (31%), o celular parou de funcionar (23%) e não encontrou assistência técnica (17%).

Quais os principais prejuízos que envolvem a compra de um celular descaminhado?

No Brasil, a comercialização de produtos irregulares e sem autorização do governo é chamada de mercado cinza. Nesse cenário, a venda é feita por meio de canais de distribuição não autorizados ou não intencionais pelo fabricante e esses produtos são geralmente importados e vendidos a preços abaixo do mercado, muitas vezes devido à sonegação de impostos ou outras práticas ilegais. 

Confira nesse breve histórico, como têm sido os casos de descaminho de celular (mercado cinza) no país:

“Ah, mas o prejuízo fica só no bolso do governo”, é o que alguns consumidores podem pensar e não é bem assim. Comprar um celular de origem duvidosa pode parecer vantajoso pelo preço mais baixo – o estudo da Abinee indica que um celular descaminhado custa 38% a menos do que o mesmo produto vendido no mercado oficial -, mas os riscos e prejuízos envolvidos não compensam a economia inicial.

No fim das contas, analisa Neves, a compra de um celular pode ser um verdadeiro labirinto. Há opções com selo da Anatel, garantia global e assistência técnica confiável, mas também existe o risco de adquirir um produto sem procedência, sem garantia e com riscos à sua segurança. O consumidor precisa estar alerta, pois neste emaranhado de situações, o maior perdedor pode ser ele.

“Felizmente, algumas marcas já resolveram esse dilema e oferecem serviços de assistência em praticamente todo o mundo, independente de onde o produto foi adquirido. A pergunta que fica é: por que o consumidor precisa se arriscar dessa forma? Não seria mais justo que as empresas assumissem a responsabilidade pela qualidade dos seus produtos em todos os países onde atuam? Afinal, a globalização não deveria ser um benefício apenas para as empresas, mas também para os consumidores”.

Uma boa forma de se certificar o quanto a empresa tem esse compromisso com os consumidores é pesquisando as marcas no Reclame AQUI, o atendimento dela aos consumidores na plataforma. 

Veja só como a conta sai bem cara para o consumidor

Falta de garantia 

Celulares contrabandeados não possuem garantia do fabricante, deixando o consumidor desprotegido em caso de defeitos.

Ausência de assistência técnica

Não há assistência técnica autorizada para celulares ilegais, dificultando o reparo em caso de problemas.

Riscos de segurança

Esses aparelhos não passam por testes de segurança e podem apresentar riscos para o usuário, como superaquecimento ou explosão da bateria.

Problemas de funcionamento

Celulares contrabandeados podem não funcionar corretamente nas redes brasileiras, apresentar incompatibilidade com aplicativos ou ter recursos limitados.

Informações enganosas

Muitas vezes, os vendedores de produtos ilegais divulgam informações falsas sobre as características e funcionalidades dos aparelhos.

Alguns usuários, inclusive, que acabaram fazendo negócios com o mercado cinza – muitos sem o menor conhecimento – registraram nos últimos anos as suas reclamações no Reclame AQUI, contando como enfrentaram dificuldades e problemas com seus aparelhos celulares e dispositivos eletrônicos:

Consumidor de São Paulo (SP)
Realizei a compra de um smartphone xiomi redmi 12 pela plataforma por um vendedor indicado pela plataforma por ter uma ótima reputação. Produto chegou dentro do prazo até então sem contratempos. No ato da compra preenchi as informações necessárias para a emissão da nota fiscal do produto. Mas não foi enviada nota nenhuma nem via email nem junto ao produto que era novo e lacrado! Tentei contato com o vendedor solicitando a mesma mas não obtive nenhum retorno. Com 40 dias de compra notei que o celular começou a superaquecer durante o uso, o vendedor alegou que poderia ser normal por conta do calor. E não me deu mais nenhum retorno. Até que no Dia 30/12 exatamente 70 dias após a compra o celular novo comprado com muito sacrifício, que inclusive ainda está sendo pago simplesmente parou de ligar! Entrei em contato com a loja para obter algum respaldo pois pela lei tenho no mínimo 90 dias de garantia do vendedor. Mas ele visualiza e não responde, solicitei milhares de vezes a nota fiscal que não foi enviada e também nada de resposta.

Consumidor de Guarulhos (SP)
“Compra do aparelho Motorola g60 fiz a troca pelo xaiomi note 11 Onde desde o início venho notando erros nele após 3 meses da compra ele só vem piorando agora ele está super aquecendo a ponto de querer pegar fogo. Mostra a tela um super aquecimento trava por diversas vezes e só forçando desligamento para conseguir acessar novamente bateria e de 5000ah dura 4*horas com celular em uso nem os mais antigos celulares são assim. Ao entrar em contato com a assistência e solicitar reparo a empresa fabricante no Brasil DL pelo número de IMEI disse q não pode dar garantia de um aparelho que não é deles portanto TD indica que meu aparelho e uma réplica[…].”

Consumidor de São Paulo (SP)
“Comprei o celular Smartphone Xiomi Readmi 9 India 64GB 4GB RAM Tela 6,53 Android 10 Octa-Core Dual Sim – Sky Blue no site da Amazon. Porem na hora da compra não percebi que a venda é feita por um terceiro. Ocorre que após algum tempo de uso (1 mes) o celular apresentou defeito no GPS e Wi-Fi. O Celular foi retatado as configurações de fábrica. Não encontrei Autorizada para o concerto. E entrei no site do fabricante onde o email que deveria confirmar o meu cadastro não chega na caixa de spam e nem na caixa de entrada. E assim só encontro assistências técnicas não oficiais. O Vendendor credenciado na Amazon não me respondeu também.[…].”

Consumidor de São Paulo (SP)
“Comprei um Celular Xiaomi Redmi Note 13 Dual Sim 8gb Ram 256gb + Fone no valor de R$: 1.329,00 O vendedor enviou o produto na cor errada. Alem disso cometeu outro erro grave ( me enviou uma nota fiscal com informações erradas ) que na receita se refere a uma capinha de 9 reais , ou seja meu produto é contrabandeado[…].”

Consumidor de Feira de Santana (BA)
“Efetuei uma compra no site da vivo. Dia 31/05/2024. De um Aparelho celular. Galaxy A55 5G. 256gb. Dia 10/06/2024 Recebi. Desde que abri e fiz a conferência, notei que estava faltando o carregador do aparelho, e a nota fiscal. No mesmo momento entrei em contato. Pedi a troca ou devolução. Pediram pra olhar email se a nota fiscal não estava lá. Disse que não. Desde então não resolveram meu problema. Me mandaram ir em loja física. Me desloquei quase 200km. Chegando lá fui informada que não podiam fazer nada, pois a compra tinha sido pelo site. Desde então ligo pra ouvidoria, pra central nada deles resolveram […].” 

Consumidor de Estrela do Indaiá (MG):
Adquiri um aparelho Xiomi note 10, nos 7 dias da garantia o aparelho funcionou normalmente não havendo motivo pra acionar a garantia, porém 14 dias após a operadora emitiu um alerta que em 60 dias o aparelho deixará de funcionar por não ser homologado. Já fiz várias reclamações, tentei contato com o vendedor e não responde[…]. 

Consumidor de Araruama (RJ)
“Quero expressar minha indignação com o produto da xiaomi que adquiri no Mercado Livre. Comprei um relógio xiaomi smart band 8 active global para minha filha no Natal, e com um pouco mais de 3 meses o relógio apresentou problemas de aquecimento,queda bateria e tela. Fiz contato direto com a empresa DL Comércio e Indústria de Produtos Eletrônicos que é responsável por realizar o suporte dos produtos xiaomi aqui no Brasil, pois o produto tem 1 ano de garantia pelo fabricante e fui informada que a garantia de 1 ano que o produto tem, não poderia ser acionada, pois o produto foi comercializado (Comprado na China e revendido no Brasil). Fiz contato com o vendedor do mercado livre, mas o mesmo ignorou, não manifestando resposta.[…]”

Consumidor de Rio Claro (SP)
Comprei um smartphone motorola Moto G5 S Plus com 64 gb de ROM e 4 de RAM em 22/01/2021 no site da Casas Bahia e me foi entregue um smartphone com 32 gb de ROM e 3 de RAM. Solicitei a troca que foi efetivada, porém sem a nota fiscal.. Após a troca o aparelho entregue começou a desligar sozinho. Liguei para a motorola e pediram que eu passasse o número IMEI do aparelho e da embalagem, foi aí que descobri, também, que os números são diferentes. Enviei o mesmo para a assistência técnica da motorola que me respondeu que fica isenta de reparar gratuitamente o aparelho pois se trata de produto importado e “NÃO HOMOLOGADO PELA ANATEL”, conforme declaração assinada pela motorola[…].

E os problemas também continuam para a economia do país…

Evasão fiscal

Atualmente, os produtos irregularem são importados majoritariamente via Paraguai, não possuindo certificação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A entrada de celulares contrabandeados causa perda de arrecadação para o governo, impactando investimentos em áreas como saúde, educação e segurança.

Perda de empregos

O descaminho prejudica a indústria nacional, levando à perda de empregos diretos e indiretos em toda a cadeia produtiva. Estima-se o impacto negativo em 10.000 postos de trabalho.

Menos investimentos em pesquisa e desenvolvimento

A falta de recursos causada pela evasão fiscal prejudica os investimentos em pesquisa e desenvolvimento, afetando a inovação e o desenvolvimento tecnológico do país. A Abinee calcula prejuízo em P&D que chegam a R$400 milhões.

Fomento ao crime organizado

O mercado cinza está frequentemente ligado a atividades criminosas, como corrupção e lavagem de dinheiro. 

É importante salientar mais uma vez que adquirir produtos de descaminho, além de ilegal, pode acarretar em diversos problemas, desde a falta de garantia e assistência técnica até o mau funcionamento do aparelho, comprometendo a experiência do usuário. Além disso, esses produtos podem representar um risco à saúde devido à falta de controle de qualidade e à utilização de materiais inadequados.

Já a compra de um celular original do fabricante é um investimento que vai além do status. É a garantia de um produto seguro, eficiente e com suporte adequado. A homologação da Anatel assegura que o aparelho atende aos padrões técnicos e de segurança, minimizando riscos à saúde e ao bom funcionamento do dispositivo.

Ao optar por um celular original do fabricante e principalmente certificado pela Anatel, o consumidor não apenas valoriza seu investimento, como também contribui para um mercado mais justo e seguro, fomentando a inovação e a qualidade dos produtos oferecidos no país. 

A escolha consciente é fundamental para garantir uma experiência completa e adequada com o seu dispositivo móvel.

Vale a pena ler! Escudo contra golpes: A importância dos selos de verificação pra te proteger

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